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Alergias respiratórias

Rinite alérgica ou resfriado: como diferenciar

Dra. Luciana Vieira Leitura de 5 minutos
Rinite alérgica ou resfriado: como diferenciar

Nariz entupido, coriza, espirros. Nos primeiros dois ou três dias, rinite alérgica e resfriado são praticamente idênticos — e é por isso que quase todo mundo faz a mesma coisa: descansa, toma um chá, espera passar.

Quando é resfriado, funciona. Quando é rinite, o sintoma vai embora por alguns dias e volta. Aí volta de novo. E de novo. Até virar “aquele nariz que vive entupido”, tratado como característica da pessoa em vez de como uma doença que tem tratamento.

A diferença não está no primeiro dia. Está no que acontece depois dele.

Cinco sinais que separam um do outro

1. O tempo

Resfriado é causado por vírus e tem prazo de validade: em geral melhora dentro de sete a dez dias. A rinite alérgica não “termina” — ela aparece enquanto a pessoa estiver exposta ao que desencadeia a reação. Se os sintomas passam de duas semanas, ou se voltam sempre nas mesmas situações, resfriado já não explica.

2. A coceira

Este é o sinal mais útil de todos. Resfriado não costuma coçar. Coceira no nariz, no céu da boca, nos olhos ou na garganta é típica de alergia — e quando aparece, muda bastante a suspeita. A criança que esfrega o nariz para cima com a palma da mão o dia inteiro está dando o diagnóstico sem falar nada.

3. A febre

Rinite alérgica não causa febre. Se há febre, dor no corpo e aquele mal-estar de quem quer ficar debaixo do cobertor, o quadro é infeccioso. Vale lembrar que as duas coisas podem coexistir: quem tem rinite também pega resfriado, e o resfriado costuma piorar bastante quem já tem a via aérea inflamada.

4. A secreção

Na alergia, a secreção costuma ser clara e líquida, como água, e permanece assim. No resfriado, ela tende a começar clara e ficar mais espessa e amarelada ao longo dos dias. Importante: secreção amarelada não significa automaticamente infecção bacteriana nem necessidade de antibiótico — é parte da evolução natural de muitos quadros virais.

5. O padrão

Este é o que mais entrega. Preste atenção em quando os sintomas aparecem:

Resfriado não tem padrão — ele simplesmente acontece. Alergia tem gatilho, e o gatilho se repete.

Um resumo para levar na cabeça

Provavelmente resfriado: começou de repente, tem febre ou dor no corpo, não coça, e melhora em uma semana.

Provavelmente rinite alérgica: coça, não tem febre, dura mais de duas semanas ou volta sempre, e tem hora e lugar para aparecer.

Por que isso importa mais do que parece

Rinite não tratada não fica só no nariz. Ela atrapalha o sono — e sono ruim em criança aparece como irritação, dificuldade de concentração e queda de rendimento escolar, não como “sono ruim”. Ela também favorece otites, sinusites de repetição e respiração pela boca, que a longo prazo pode alterar o crescimento da face e a posição dos dentes.

E há uma relação que muita gente não conhece: rinite e asma são a mesma via aérea. Boa parte de quem tem asma também tem rinite, e tratar só uma das duas costuma dar resultado pela metade.

Do outro lado, tratar rinite como se fosse infecção também cobra um preço. Antibiótico atrás de antibiótico não resolve alergia — e traz seus próprios efeitos.

O que fazer agora

  1. Anote por duas semanas. Que dias, que horas, o que estava acontecendo. Esse caderninho vale mais que muito exame.
  2. Olhe o quarto. É onde se passam oito horas por dia com o rosto encostado no travesseiro. Colchão e travesseiro com capa antiácaro, roupa de cama lavada com frequência em água quente, menos pelúcia e tapete no ambiente de dormir.
  3. Não comece por conta própria com corticoide nasal ou antialérgico contínuo. Eles têm indicação, dose e tempo certo — e usados errado mascaram o quadro sem tratar.
  4. Procure avaliação se os sintomas duram mais de duas semanas, se voltam sempre, ou se já atrapalham o sono, a escola ou o trabalho.
Procure atendimento de emergência Falta de ar, chiado importante no peito, inchaço de lábios, língua ou garganta, ou dificuldade para engolir não são sintomas de rinite nem de resfriado. Nesses casos, procure um pronto-socorro imediatamente.
Dra. Luciana Vieira
Dra. Luciana Vieira Alergista e imunologista. Pediatria e Alergia e Imunologia pela USP. Atende crianças e adultos no Instituto de Alergia de Atibaia. CRM-SP 126353 · RQE 72926 / 96444
Este texto tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica. Cada caso tem particularidades que só uma avaliação individual consegue considerar.
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